Ressuscitando Miles

06/08/2019 | 16:35

Por Emerson Lopes*

Passa ano e entra ano, e a figura onipresente de Miles Davis está sempre “assombrando” o mundo do jazz. É claro que isso não é uma crítica, pelo contrário, Miles fez por merecer essa devoção. Mas é fato que muitos ainda faturam com o músico de jazz mais importante da história ao lado de Duke Ellington, Charlie Parker, Louis Armstrong e John Coltrane. Neste ano, três lançamentos voltam a “ressuscitar” o trompetista norte-americano que morreu em 1991, aos 65 anos.

O primeiro é o lançamento do vinil duplo do disco The Complete Birth Of The Cool, de 1957. As gravações foram feitas entre 1949-1950, com a participação de Gerry Mulligan, Lee Konitz, Max Roach, John Lewis e os arranjos de Gil Evans. A versão estendida conta com uma apresentação ao vivo gravada no The Royal Roost, nos dias 4 e 18 de setembro de 1948.

Disco lançado originalmente em 1957 volta a ser lançado em vinil

Outro lançamento é o disco inédito Rubberband, gravado originalmente em 1985, o que seria a estreia do trompetista na gravadora Warner. Mas o disco acabou engavetado e “substituído” pelo álbum Tutu. A nova versão de Rubberband traz a participação das cantoras Lalah Hathaway, Ledisi e Medina Johnson. Originalmente, o disco teria a participação de da cantora Chaka Khan e do saudoso Al Jarreau. Mas isso acabou não acontecendo.

A última preciosidade de Miles para 2019 é o documentário Miles Davis: Birth of the Cool, do aclamado documentarista Stanley Nelson. A estreia aconteceu no festival Sundance, em janeiro, e foi muito elogiado pela crítica. Segundo o diretor, além de fotos inéditas e gravações nunca antes ouvidas, o documentário entrevista a viúva de Miles, Frances Davis, além de vários músicos, entre eles, Herbie Hancock, Santana e Ron Carter. Além disso, o ator Carl Lumbly narra, como se fosse o próprio Miles, trechos da autobiografia do músico, deixando o documentário ainda mais atraente e pessoal. Atualmente, o documentário está em turnê pelos Estados Unidos. Mas ainda não há previsão de quando vai aportar por aqui.

Álbum inédito de Miles traz pintura do músico na capa

Vale lembrar que este ano comemora-se os 60 anos do lançamento do disco Kind of Blue, no dia 17 de agosto de 1959. Considerado um divisor de água dentro do jazz, o disco traz o trompetista ao lado de John Coltrane (sax), Julian Cannonball Adderley (sax), Paul Chambers (baixo), Bill Evans (piano) e Wynton Kelly (piano), Jimmy Cobb (bateria) .

Oficialmente, não há nada programado para marcar essa importante data no calendário do jazz. Para quem quer saber mais sobre o cultuado disco, procure os livros Kind of Blue, de Richard Williams, da editora Casa da Palavra, e Kind of Blue: a história da obra prima de Miles Davis, de Ashley Kahn, da editora Barracuda. Como foram lançados faz um bom tempo, não será difícil encontrar em um sebo perto de você. Vale a pena a leitura.

O trompetista também virou filme em 2016, com o ator Don Cheadle fazendo o papel do músico, além de estrear na direção.  Miles Ahead não conta a história cronológica de Davis. O diretor preferiu pinçar alguns pontos de sua trajetória e enfatizar como a genialidade do músico trazia dificuldade para sua vida ao mesmo tempo que o tornou um dos músicos mais influentes do século XX.

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

 

 

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