Quiana Lynell mistura jazz, soul e gospel em seu álbum de estreia

25/07/2019 | 16:12

Por Emerson Lopes *

De tempos em tempos somos presenteados com uma nova cantora de jazz. Da “nova safra”, temos nomes como Cécile McLorin Salvant, Lizz Wright, Cyrille Aimée, Kandace Springs, Esperanza Spalding, Jazzmeia Horn e Somi. Também é fato que entre as cantoras citadas, grande parte delas flerta com o r&b e com a soul music, o que não é exatamente um problema, concorda?

No fim de 2017, uma nova voz começou a aparecer após ter vencido o Sarah Vaughan International Jazz Vocal Competition, um dos mais importante concursos vocais dos Estados Unidos e que já teve como campeãs nomes como Cyrille Aimée, Laurin Talese, Jazzmeia Horn e Arianna Neikrug.

Quiana Lynell venceu o concurso Sarah Vaughan International Jazz Vocal em 2017

Mas em 2017 a vencedora foi Quiana Lynell, uma mãe de família que trabalhava como professora de música e decidiu abrir mão de seu ofício principal para se dedicar totalmente à carreira. O resultado disso é o disco A Little Love, lançado em 2019 pela gravadora Concord. O CD foi um dos prêmios que Quina ganhou ao vencer o concurso.

O disco traz a cantora interpretando temas imortalizados nas vozes de Nina Simone, Ella Fitzgerald, Carmen McRae, Chaka Khan, Donny Hathaway e Dusty Springfield. Tudo muito bem equalizado e com pitadas muito bem temperadas de jazz, blues, r&b, gospel e soul.

O resultado é um misto entre Dianne Reeves, Diane Schuur e Cassandra Wilson. A própria cantora declarou em entrevista que gostaria de “ser Dianne Reeves”. Ao ouvir seu disco de estreia, é possível ver que Quiana está no caminho certo. Suas interpretações de “Move Me No Mountain”, de Chaka Khan,, “You Hit The Spot”, de Ella Fitzgerald, “Just A Little Lovin’ (Early In The Mornin’)”, de Dusty Springfield, e “I Wish I Knew (How It Would Feel to Be Free)”, de Nina Simone, trazem uma voz segura, macia e muito bem treinada para seu ofício.

Capa do disco lançando pela gravadora Concord

Quiana também flerta com o blues nos temas “Tryin’ Times”, de Donny Hathaway, e “Hip Shakin’ Momma”, de Irma Thomas. O jazz mais “tradicional” está na clássica “They All Laughed”, composta por George Gershwin e gravada por nomes como Carmen McRae, Frank Sinatra, Fred Astaire, Sarah Vaughan e Chet Baker. No disco, Quiana é acompanhada por Cyrus Chestnut (piano), Jamison Ross (bateria), Ed Cherry (guitarra), George DeLancey (baixo) e Monte Croft (vibrafone).

 

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

COMPARTILHE