Guitarristas fazem tributos em seus novos discos

21/05/2019 | 13:40

Por Emerson Lopes*

O veterano guitarrista George Benson está de volta ao trabalho. Em forma aos 76 anos, Benson retorna com um novo disco em tributo a dois “pais” do rock and roll: o guitarrista Chuck Berry e o pianista Fats Domino. Em Walking to New Orleans, o Benson cantor aparece com mais eloquência, mas sua inconfundível guitarra está por toda parte e sempre precisa.

É sempre bom ver um gigante do jazz prestando reverência a dois gigantes do rock. Ao lado de Elvis Presley, Jerry Lee Lewis e Carl Perkins, Domino e Berry são responsáveis por tudo que viria a seguir e mudaria para sempre a história da música.

Diante de um legado desses, Benson não titubeou ao escolher clássicos de Berry como “Nadine (Is It You?)” “You Can’t Catch Me” “Havana Moon” “Memphis, Tennessee,” e “How You’ve Changed”. Obviamente que outros temas, entre eles “Sweet Little Sixteen” e “Johnny B. Good”, poderiam ter sido incluídos, mas Benson não quis ser tão óbvio assim.

A energia do disco continua com os temas de Fat Domino, entre eles “Rockin’ Chair,” “Ain’t That a Shame,” “I Hear You Knocking,”, “Blue Monday, além da faixa-título. Assim como os fãs de Berry, quem conhece a trajetória de Domino também sentirá falta de clássicos como “Blueberry Hill” e ““I’m Walkin”. Mas a ausência não tira o mérito do disco.

O álbum está muito bem servido com a guitarra de Benson, a bateria de Greg Morrow, o piano de Kevin McKendree e o baixo de Alison Prestwood. Além disso, um naipe de metais deixa tudo ainda mais rock and roll e faz o ouvinte ir direto para as décadas de 1950 e 1960. O disco pode ser ouvido na íntegra clicando aqui.

Outro guitarrista veterano que também presta tributo em seu novo álbum é Bobby Broom, Em Soul Fingers, Broom oferece um repertório mais eclético que Benson. Ao lado de Kobie Watkins (bateria), Ben Paterson (órgão), Ron Blake (sax) e Chris Rogers (trompete), o músico coloca seu dedilhado preciso e bem articulado em temas como “A Whiter Shade of Pale”, do Procul Harum, “Do It Again,”, do Steely Dan, “While My Guitar Gently Weeps”, dos Beatles, entre outros.

Assim como outros guitarristas, Broom, de 58 anos, bebeu de várias fontes, entre elas Wes Montgomery, Grant Green e, é claro, do veterano George Benson. Seu fraseado limpo deixa temas como “I Can’t Help It”, de Stevie Wonder, e “Summer Breeze”, do Seals & Crofts, ainda mais interessantes e agradáveis de ouvir.

Mas a estética musical de Broom pode não ser tão agradável para ouvintes que não gostam de jazz tocado com arranjos mais acessíveis. O chamado smooth jazz é sempre uma pedra no sapato de quem cresceu ouvindo Miles Davis, Dule Ellington, Thelonious Monk e Charles Mingus. Assim como Broom, Benson também é questionado há quatro décadas sobre sua escolha de direcionar sua guitarra para um som mais comercial. Mas, felizmente, há espaço para todos.

As músicas que você escuta abaixo são:

George Benson – Ain’t That A Shame 

George Benson – Nadina

George Benson – You Can’t Catth Me

Bobby Broom – While My Guitar Gently Weeps

Bobby Broom – Summer Breeze

Bobby Broom – I Can’t Help It 

 

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouça o podcast    aqui

COMPARTILHE