Com álbum novo, John Scofield mantém onipresença na guitarra

19/10/2018 | 16:09

*Por Emerson Lopes

A presença do veterano guitarrista John Scofield nunca passa despercebida. Sua inquietação, seu talento e sua história o tornaram um dos mais interessantes músicos de sua geração. E olha que quatro décadas se passaram desde que tocou no quarteto do vibrafonista Gary Burton e depois foi contrato por Miles Davis.

A experiência acumulada tem rendido ótimos frutos e álbuns, como Country For Old Men (2016) e Past Present (2015), ambos premiados com o Grammy de melhor disco de jazz. Agora, aos 66 anos, Scofield está na praça novamente com mais um belo trabalho: Combo 66.

Ao lado de um trio formado por Bill Stewart (bateria), Vincente Archer (baixo) e Gerald Clayton (órgão e piano), Scofield envolve o ouvinte, como de costume, com temas sob medida para o timbre incomparável de sua guitarra.

A música de abertura – “Can’t Dance” – fará o ouvinte mais atento lembrar a parceria de Scofield com o trio Medeski, Martin & Wood. O órgão de Clayton dá uma atmosfera relaxante ao tema e faz bem o contraponto com as frases criadas por Scofield. A mesma pegada de órgão trio também aparece em “New Waltzo”, com 9 minutos de duração.

Em “Combo 66”, o jazz mais tradicional ganha espaço com a presença marcante do baixo de Archer e a destreza de Clayton, desta vez ao piano. Clayton volta a roubar a cena em “Dang Swing”, com Scofield novamente inspirado.

John Scofield (camisa listrada) ao lado do trio que o acompanha no novo álbum 

Sobre “Icons At The Fair”, o guitarrista comentou em entrevista recente que a música surgiu do tema “Scarborough Fair”, de Simon & Garfunkel, que ele gravou ao lado de Herbie Hancock, em um álbum do pianista, em 1995. Scofield explicou que gostou dos acordes e então resolveu usá-los nessa nova composição, mas com uma melodia diferente e um toque de Miles Davis.  O resultado é uma interpretação pesada e direta, ou seja, jazz puro nos tímpanos.

A afinação da guitarra de Scofield funciona muito bem em baladas. “I’m Sleeping In” e “Uncle Southern” são ótimos exemplos disso. O álbum fecha com “King Of Belgium”, uma homenagem ao mestre da gaita Toots Thielemans.

Após todos esses anos, Scofield continua relevante no cenário jazzístico. Seus “filhotes”, entre eles os guitarristas Kurt Rosenwinkel, Charlie Hunter, Julian Lage,  Jonathan Kreisberg e Mike Moreno, são a prova  da influência exercida por este senhor de barba branca, dedos calejados e espírito sempre inovador. Ouça abaixo uma faixa do disco e um trecho da apresentação do quarteto no Blue Note de NovaYork, em abril de 2018.

 

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouca o podcast    aqui

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