Clássico clube de jazz americano, Blue Note ganha filial carioca

14/07/2017 | 20:51

Fonte: O Globo / Extra

RIO — Fundado em 1981, no Greenwich Village de uma Nova York ainda vivendo a ressaca dos embalos da discothèque, o Blue Note se estabeleceu como um refúgio para que o jazz pudesse recuperar a sua excelência musical. Naquele clube de moldes clássicos criado por Danny Bensusan, gigantes que se sentiam deslocados num mundo hostil do pop, como Sarah Vaughan, Lionel Hampton, Dizzy Gillespie e Oscar Peterson voltaram a ter um palco que pudessem chamar de seu. Aos poucos, a franquia baseada na exclusividade e no refinamento se expandiu pelos EUA (com filiais em Honolulu e no Vale do Napa, na Califórnia), Japão (Tóquio e Nagoia), Itália (Milão) e, no ano passado, na China (Pequim). Agora chegou a vez do Brasil.

No dia 23 de agosto será inaugurado no Rio, no espaço na Lagoa onde entre 2012 e 2015 funcionou a Miranda, o primeiro Blue Note no Hemisfério Sul. No ano em que o jazz completa seu centenário, o empreendimento de Luiz André Calainho, da L21, tenta trazer para a noite carioca a atmosfera intimista do clube nova-iorquino.

— O Blue Note tem uma vibe especial, os artistas adoram tocar lá. É uma experiência diferente, tem uma mágica — diz Calainho, 51, sócio majoritário do empreendimento, que, de agosto a dezembro, investirá na casa R$ 4,1 milhões, “entre obras, infraestrutura, marketing e artistas”.

Por e-mail, Danny Bensusan conta que abrir um Blue Note no Rio é um sonho realizado.

— E não só para nós, mas para muitos brasileiros também. A música brasileira tem desempenhado um papel crucial na história da casa desde a sua fundação. O Rio é o lugar perfeito para abrir o nosso primeiro lugar na América do Sul — acredita. — Queremos servir de ponte para conectar os músicos talentosos da cidade com os icônicos artistas de jazz. Esse tipo de colaboração é essencial para fazer o público de jazz continuar a crescer.

Bandas residentes e encontros

Hoje, o Blue Note Rio abre a sua pré-reserva — um cadastro que dará prioridade na pré-venda de ingressos para os shows das duas primeiras semanas, que começa no dia 15 (quando serão anunciadas as atrações) e que vai até 21 (quando a venda abre para ao público em geral). Com uma lotação de 400 pessoas e uma decoração que segue os restritos padrões dos outros Blue Note, a casa carioca terá três bandas residentes (um duo, um trio e um quarteto) e abrirá para os shows das estrelas convidadas sempre de quarta a sábado.

A noite começa às 18h30m, com um happy hour, e terá sempre duas sessões musicais diárias, com ingressos separados. Entre 1h (quando acaba o último show) e 2h30m, a casa funciona como bar. De segunda a sábado, o Blue Note Rio abrirá para almoço, com cozinha de Pedro de Artagão e dois sets de jazz. Domingo será dia dos Sunday Brunches, das 11h às 18h, com três sets das bandas residentes.

A proposta de Calainho (que divide a direção artística da casa com Lu Araújo, criadora e diretora do festival Mimo) é de abrir o palco para estrelas internacionais do jazz e da MPB, promovendo também shows exclusivos (como o do projeto jazzístico do rapper Marcelo D2) e alguns encontros inéditos.

Poucas obras serão feitas, segundo Calainho, em relação ao que era a Miranda da empresária Ariane de Carvalho. O palco, por exemplo, ficará agora na lateral da casa, de costas para o Morro Dois Irmãos e Pedra da Gávea. Continuam, porém, as mesas atrás das pilastras, com visão parcial do palco (essas terão ingressos mais baratos, ele garante).

Danny Bensusan dá a receita dos Blue Note:

— O local deve ter o melhor som e acústica, permitindo que as pessoas apreciem a música. Também deve oferecer ótima experiência culinária. Todos os Blue Note devem tratar bem os artistas, para que estejam na melhor situação para exercer a criatividade. Tem que fornecer bom camarim, boa refeição e acomodações limpas.

— Uma pessoa que foi chave para que isso se tornasse realidade foi o Sergio Mendes, com quem eu tinha produzido a música “Se liga aí” (para a Olimpíada do Rio). O Danny ligou para ele para saber quem eu era, e o Sergio me elogiou — conta Calainho.

O empresário promete a abertura de um Blue Note em São Paulo no primeiro semestre do ano que vem, e depois um outro em Recife. E sonha alto com filiais do Blue Note em Buenos Aires, Punta Del Este, Lima, Cartagena… e Havana.

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