Bob James volta ao formato de trio

26/11/2018 | 16:48

Por Emerson Lopes *

Aquela conversa sobre a melhor idade sempre me causa certo desconforto. Em entrevista, certa vez, o centenário arquiteto Oscar Niemeyer disse com todas as letras que “ficar velho é uma merda”. Por outro lado, o acadêmico imortal Zuemir Ventura, de 87 anos, não faz uma defesa enfática pela velhice, mas afirma que a alternativa à velhice “é pior”.

Diante de opiniões divergentes sobre o delicado tema, é possível afirmar que o pianista norte-americano Bob James, que completará 80 anos em 2019, não está muito preocupado com essa questão de ser ou estar velho. Ele acaba de lançar o disco Espresso, o primeiro em formato de trio desde Take It From The Top, de 2004.

Nos últimos anos, James andou ocupado lançando discos com o grupo Fourplay (Silver), com o baixista Nathan East (The New Cool), com a pianista Keiko Matsui (Altair & Vega) e com o saxofonista David Sanborn (Quartette Humaine).

Para essa nova incursão ao formato clássico do jazz (piano, baixo e bateria), James escalou o jovem baixista Michael Palazzolo e o experiente baterista Billy Kilson, com quem o pianista já tinha gravado.

 

Bob James (centro) ao lado do baixista Michael Palazzolo (esq.) e do baterista Billy Kilson (dir.)

A pegada Bob James está em todo disco, mas os fãs que o conhecem como o pianista do Fourplay podem se sentir um pouco órfãos ao ouvir temas como “Bulgogi” e “Ain’t Misbehavin”, esta última uma versão do tema composto pelo pianista Fats Waller. O jazz mais adulto imprime o tom por aqui.

Mas o lado mais Bob James de ser aparece com força nos tem “Boss Lady”, “Promenade”, “Topside” e “Shadow Dance”. Basta fechar os olhos para perceber que falta apenas uma guitarra para esses temas virarem o som do Fourplay.

O álbum ainda abre espaço para as delicadas “Il Boccalone”, com James acompanhado apenas do baixo de Palazzolo, e “One Afternoon”, tema que caberia muito bem como trilha de cinema.

Para fechar, a funkeada “Submarine” e “Mister Magic”, regravação do tema originalmente lançado no disco homônimo do saxofonista Grover Washington Jr.,de 1975, com arranjo do próprio James. Nesta nova versão, a ausência do sax de Washington é suprida pela perfeita simbiose do trio comandado por James.

 

 

 

*Emerson Lopes    é jornalista, autor do livro     Jazz ao seu alcance, da editora Multifoco, e apresentador do podcast     Jazzy.     Saiba mais sobre o livro     aqui. Ouca o podcast    aqui

 

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